quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Post 8 - Cicatrizes


                         

Tenho varias cicatrizes no corpo, cada uma tem uma historia, motivo,  motivador e autor. São fotos reveladas  pelo tempo, criadas pela imensa capacidade do corpo humano de se recuperar. Algumas dessas marcas, já não existem. Me deparei em vários momentos relatando algo como, um corte, pancada, queimadura, e sei que um dia existiram cicatrizes. Lembro bem! Foi aqui! Doeu muito! Sangrou! Queimou! Onde foram parar? Existem algumas das quais não me lembro porque estão aqui. Onde e quando me machuquei? Será que doeu? Sangrou? Queimou? Chorei?  Não me lembro!
Em especial tenho 3 cicatrizes na pele, diferentes na historia, tempo, motivo, motivador e autor.
 A mais antiga eu tinha 4 ou 5 meses de idade, morávamos em Mauá-SP. Por um descuido de momento, uma outra criança me pegou do carrinho de bebe em que eu estava. Resultado: Caí de cabeça no chão! Se chorei? se doeu? Se sangrou? Sim-Sim-sim.  Mas não me lembro! Só sei que isso aconteceu poque em minha testa algo me faz lembrar. Lembro sempre desta história, contada por meus pais, cicatrizada em minha memoria.

                                                      ⇓ 1ª Cicatriz na testa.
                                           
                                               
                                                               
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A segunda cicatriz, eu tinha por volta de 5 anos, morávamos em Casa Branca interior de SP. Em um daqueles gira-gira de parque de praça, uma parte metálica solta do assento, (por negligencia ou descaso do poder publico) fez um corte no meu braço direito. Essa historia eu me lembro bem. Se doeu? Se sangrou? Se chorei? Sim-Sim-Sim! Lembro também da dor da anestesia local, para fazer os 7 pontos. Sei que isso aconteceu porque algo em meu braço me faz lembrar. Lembro sempre desta historia, mesmo sem ver a sua marca, porque, está cicatrizada também em minha memoria.



2ª Cicatriz no braço ( 7 pontos )


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A terceira cicatriz, eu tinha 35 anos, foi exatamente as 20:00hs do dia 12 de fevereiro de 2015. Aqui mesmo em Dias D'avila BA. Trabalho na manutenção de uma industria Cerâmica, e faço plantão na empresa, recebi um telefonema para resolver um problema na cintadeira (uma das maquinas da produção). No trajeto normal casa-trabalho, aconteceu um assalto, e infelizmente acabei sendo baleado nas costas. Dessa história me lembro muito bem,  e prometo descrever tudo em um Post futuro. Se doeu? Se chorei? Se sangrou? Sim-sim-sim! Sei que isso aconteceu porque algo em minhas costas me faz lembrar. Lembro sempre desta historia mesmo sem ver a sua marca, porque está cicatrizada também em minha memoria, e em minha alma. Eu disse alma? Vamos continuar ...



  Ferida causada por arma de fogo
      no dia seguinte
                                  ⇓ 
                                         Cicatriz após 1 ano e 10 meses  ⇓

                       
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Tenho varias cicatrizes na alma, cada uma tem uma historia, motivo,  motivador, autor, são fotos reveladas  pela imensa capacidade humana de preserva-las.  Algumas dessas marcas, já não existem. Muitas outras ainda persistem. E diferente das cicatrizes do corpo, essas ainda me fazem chorar, elas transmitem uma dor imensa, me enviam ao passado da minha infância, juventude, maioridade e passado recente. Sei que muitas coisas ruins aconteceram em minha vida. Sei porque muitas marcas me fazem lembrar. Lembro de muitas histórias ruins, mesmo sem ver as marcas. Sei porque estão em minha alma!
Sei também que alem de historia, tempo, motivo, motivador e autor, cada uma tem um nome. Confesso que não conheço todas. Confesso que não sei quantas são. Confesso que quero curá-las. Confesso que tenho muitas, de vários tamanhos e formatos, que atendem por nomes como: MAGOA, REVOLTA, REJEIÇÃO, PERCA, CULPA, REMORSO, DECEPÇÃO e RANCOR. São algumas das quais me lembrei.
Confesso que quero curá-las...  São fotos reveladas  pela imensa capacidade humana de preserva-las...  Opa...!
 Lembro de levar bronca de minha mãe: Não tira a "casquinha" da ferida menino! Quase sempre quando ela dizia isso, eu já estava tentando estancar o sangue, já não tinha mais a "casquinha". E a ferida demorava mais a cicatrizar.
A grande verdade é que não tenho cicatrizes na alma. Tenho feridas!  Confesso que muitas vezes ainda retiro a casquinha das feridas. Dói, sofro, choro. É difícil estancar a dor, o sofrimento e as lágrimas. E isso impede a cicatrização, que quando concluída, são transferidas para minha memoria. Confesso que não sei como curar essas feridas. Não sei como fazer para não preserva-las.
Cicatrizes no corpo e na mente, nos fazem lembrar de que houve dor,  ferida, e sofrimento.
E as feridas como: MAGOA, REVOLTA, REJEIÇÃO, PERCA, CULPA, REMORSO, DECEPÇÃO, RANCOR. Para que servem?
Confesso que tenho feridas e chagas abertas na alma, Confesso que não quero preserva-las e quero cura-las. Confesso que quando eu conseguir, terei novamente  a alma de criança, onde, vou transferir as então já cicatrizes para a mente, e quando lembrar delas não vou ter dor, sofrimento e lágrimas. Essas cicatrizes vão servir como um alerta, para que se possa evitar novas feridas. Um aprendizado de como cura-las. Mas nem sempre depende só de nós, neh?
Ou quem sabe eu diga: Essa cicatriz aqui? Se doeu? Se sangrou? Se chorei? Se sofri? Não me lembro! Só sei que isso aconteceu porque alguém me contou essa história...

# Tentando Chegar lá!
Com algumas ainda feridas e chagas...
# A gente encerra por aqui hoje! 01 Dez.2016

Wellington Maia

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