domingo, 20 de novembro de 2016

Post 4 - Como se estivesse nas nuvens.

                                    


Hoje me veio a lembrança de uma viagem que fiz para uma entrevista de emprego. Morava na praia de Gaibu (PE), e a viagem era para Serra (ES). Mesmo estando bem empregado, nunca devemos recusar uma nova proposta sem analisa-la, ainda mais sem custo. Este tipo "surpresa" muito esperada e desejada alimenta o ego e nosso reconhecimento como profissional. Precisamos disso né?
Naquela época à 7 anos pra ser mais exato, era tudo oque precisava, novos ares, novos desafios, novas amizades, nova cultura, tudo novo, mais um recomeço, mais próximo de casa, mais próximo do passado! Mal absolvi todas informações e já estava viajando, me senti nas nuvens com as futuras possibilidades.
Não era minha primeira viagem, e já estava meio que familiarizado com aeroporto, avião, turbulências, procedimentos, o zumbido e tampar dos ouvidos na decolagem e pouso, precavido sempre com chicletes para este momento chato da viagem. Sentado do lado da janela ainda viajando nas nuvens com o avião ainda em terra, eis que chega uma garotinha simpática acompanhada da aeromoça.
Com um belo sorriso me cumprimenta, e ansiosa com olhos brilhando diz:
_Eu queria ir na janela!
Vendo aqueles ansiosos olhos brilhando, olhei para aeromoça; é incrível a linguagem do olhar, três pares de olhos conversando em silencio, não dando ouvido aos burburinhos dos passageiros se acomodando; pedido + consenso = troca de poltronas. Afinal eu já estava feliz, viajando a dias entre nas nuvens, prestes a estar em meu novo destino. Começamos a conversar (na verdade ela começou a puxar papo):
_ Ei como você chama? ( abordagem infantil é espontânea e simples).
Não me lembro o nome dela mas vamos chama-la de Laura. Em pouquíssimo tempo descobri que, tinha 10 anos , filha única, desejava ter irmãos, queria ser veterinária e estava indo conhecer o Pai em Vitória e sozinha! Era a minha primeira e única viagem até então em que eu conversava com alguém desconhecido, que acabei de conhecer, enfim, foi alem de um cumprimento seguido de um com licença (graças a Laura). Enquanto conversamos a aeromoça responsável não tirava os olhos dela, e de mim, sempre perguntava se estava tudo bem. Achei isso muito bom essa preocupação e atenção, era uma menor incapaz sozinha num avião, conversando com um desconhecido, mesmo já apresentados, ainda é um desconhecido. Conversa vai, conversa vem, interrupções; _ Está tudo bem? Procedimentos, apertar cintos, etc, etc...
Naquele momento minha viagem já havia mudado de curso, uma pequena corrente de ar a levou para outras nuvens, a viagem era a pequena e simpática Laura no auge de seus 10 anos completos segundo ela, viajando de avião, sozinha, rumo a conhecer o Pai. Nósss, quanta emoção para uma garotinha! Fiquei viajando, oque está passando por essa cabecinha, como ela suporta tanta emoção em um só dia? Cadê a ansiedade descontrolada dela? cadê o medo? Garotinha? Me senti um feto!
Inicio da decolagem e os olhos brilhantes já demonstravam medo, em poucos minutos sorrisos tímidos até que ela me cutuca e com as mãos nos ouvidos diz em tom elevado, quase gritando:
_ Você tá ouvindo a minha voz?
Balancei a cabeça afirmando que sim.
Ela 101% criança, carinha de assustada, abre os abraços exclama ainda em tom elevado:
_ Eu não!!!!
Fiquei com vontade de rir, mas olhei para a aeromoça, fiz sinais demonstrando a situação de Laura, mostrei o chicletes e a aeromoça sinalizou positivo. Após mascar um pouco, alivio nos ouvidos de Laura. Já ouvindo a si, começou o interrogatório:
_ Isso lá fora é nuvem? Parece algodão né? Do-que é feito a nuvem? Estamos passando pelas nuvens, isso é perigoso? Você é casado? Tem filhos? Tá indo pra onde? ...? ...? ...?
Até hoje tenho duvida se foi mesmo uma conversa ou um interrogatório rs,rs,rs,rs,rs.
Pousamos em Vitória me despedi de Laura, desejei boa sorte, se cuida Gigante.
Cheguei ao meu destino, conheci pessoas a empresa, almocei e não chegamos a um acordo infelizmente ou felizmente, nunca se sabe, né? Mas o fato é que não chagamos a um acordo financeiro, seria uma troca de figurinhas iguais. E as figurinhas dos novos ares, novos desafios, novas amizades, nova cultura, tudo novo, mais um recomeço, mais próximo de casa, mais próximo do passado! ? Essas não tem valor? Não eram iguais, eu não as tinha oque houve? Já não estava mais entre as nuvens.
Viajando literalmente senti falta de algo, ou melhor alguém minha companheira de viagem já não estava aqui do lado da janela, em seu lugar um senhor de face fechada, nenhuma palavra, seria ele mudo? Nah...A viagem de volta, não era como planejado, as respostas da viagem entre as nuvens de ida antes da ida real, não eram como o sonhado, expectativas quebradas. Apesar de tudo isso, estando em meio as nuvens (literalmente) o rumo de minha viagem entre as nuvens me levava ao pensamento em o quanto feliz estaria Laura naquele momento? Que Deus tenha feito dessa viagem entre as nuvens de Laura momentos eternos e maravilhosos. Hoje com 17 anos será que ao voar ela lembra de quem estava ao seu lado no seu primeiro voo? Quem sabe ela leia este post um dia né? Será que seu nome é mesmo Laura?
Quanto a mim? Bom, mesmo não dando tudo certo como o sonhado, voltei das nuvens e vez ou outra me pego como se estivesse entre outras nuvens, em outras viagens.
#Cheguei lá!

# A gente encerra por aqui hoje! 02 nov. 2016
Wellington Maia

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